EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: COMO SERÁ NOSSA VIDA DAQUI A 20 ANOS?
Analisamos
relatórios e mostramos como a forma com que você interage com o mundo e com a
tecnologia vai mudar daqui a duas décadas
A
MONTAGEM, INSPIRADA EM "1984", DE GEORGE ORWELL, MOSTRA A VIGILÂNCIA
CONSTANTE - ALGO PREVISTO PARA ACONTECER DAQUI 20 ANOS (FOTO: FLICKR TJ
BLACKWELL / CREATIVE COMMONS)
Peço
uns segundos de reflexão para o seguinte: o aparelho de telefone que você tem
no bolso tem o poder de processamento e a capacidade de armazenamento várias
vezes maiores do que o computador gigante que você usava pra entrar no ICQ em 2003. Aliás, o seu celular é mais
poderoso do que o computador da NASA que levou o Apollo 11 à Lua.
A
velocidade com que a tecnologia avança é observada pela Lei de
Moore, uma "profecia" de 1965 do
então presidente da Intel, Gordon Moore. A Lei de Moore diz que o número de
transistores em um chip dobra a cada 18 meses, e esse padrão se mantém desde
então. Em 2001, o inventor e futurista Ray Kurzweil ampliou a teoria de Moore,
dizendo que sempre que uma tecnologia encontra um tipo de barreira que
interrompe ou desacelera seu desenvolvimento, surge uma outra tecnologia que
rompe com essa barreira. Kurzweil
acredita que a humanidade deve atingir a singularidade tecnológica em 2045 -
a singularidade é o o nome que se dá ao momento
em que a civilização atingirá níveis tecnológicos tão rápidos, avançados e que
mudarão tão profundamente os paradigmas da sociedade como um todo, que a
inteligência artificial vai superar a inteligência humana, e nossa mente
limitada de hoje é incapaz de prever exatamente o que isso significará.
A
evolução tecnológica, então, não é linear, e não dá pra
esperar que nos próximos 20 anos a gente avance tanto quanto nos 20 anos que
passaram. Na verdade, o mundo será completamente
diferente: levando em conta a projeção de Moore e as análises de Kurzweil, que
é um dos mais respeitados futuristas do mundo, em 18 ou 20 anos a tecnologia
será centenas de milhares de vezes mais avançadas do que é hoje (dá uma olhada nesse gráfico pra entender a dimensão da coisa).
Por isso, é muito difícil prever os paradigmas que serão rompidos nesse
período.
Mas
há quem esteja tentando - gente que, inclusive, já teve sucesso no passado em
palpitar sobre onde estaríamos tecnologicamente nos dias de hoje. O PEW, instituto de pesquisas sobre internet,
conversou com especialistas sobre as possibilidades para a internet nos
próximos anos. O site Edge.org entrevistou
Kevin Kelly, editor da revista Wired e um dos mais respeitados analistas sobre
o futuro da tecnologia. E nós vasculhamos o vasto material coletado nessas
entrevistas em busca da resposta: quão diferente nossa vida será daqui a 20
anos por causa da evolução tecnológica?
Wearables Você
já deve ter ouvido falar dessa categoria de gadgets - que carece de uma tradução
adequada em português. O termo se traduz literalmente como
"vestíveis" e nele se encaixam aparelhos como o os relógios da
Samsung e da Apple, o Glass, do Google, e pulseiras que registram atividades
físicas, como Fitbit. De acordo com especialistas, é aí que vamos nos aproximar
mais rapidamente dos filmes de ficção científica. Eles vão baratear, se tornar
populares e vão incorporar aplicativos de realidade aumentada capazes de mudar
nosso cotidiano e a maneira como os recursos tecnológicos se relacionam.
Imagine ver a realidade com camadas de dados - visualizar, pelo seus óculos, a
distância de onde você está para onde quer ir, com coordenadas ao vivo? As
possibilidades para gadgets como esses são bastante amplas.
A
escassez de atenção "Nós gastamos quatro,
talvez cinco anos estudando e treinando para aprender a ler e escrever, e esse
processo de aprendizado afeta as conexões no nosso cérebro. (...) Pode ser que
para que aprendamos a gerenciar nossa atenção, a pensar de maneira crítica,
(...) toda essa 'alfabetização tecnológica', tenhamos que passar anos treinando
e estudando. Talvez demande treinamento, estudo", diz Kevin Kelly, editor
da revista Wired. Outros especialistas concordam: atenção e a capacidade de
focar-se em algo por um período estendido serão commodities raras, e talvez ainda não
saibamos, mas seja necessário estudar e dedicar tempo a adaptar nosso cérebro a
esse contexto de hyperlinks e referências cruzadas entre o conteúdo que
consumimos sem deixar que isso atrapalhe a concentração e a absorção da
informação.
Internet
das coisas A internet ainda é, para nós, uma coisa na qual
estamos conectados ou não. Ou seja, existem momentos em que estamos na rede e
horas em que estamos completamente desconectados. Em 20 anos,
a relação entre nós e a rede será parecida com a maneira como lidamos com a
eletricidade: ela simplesmente existe e permeia nosso cotidiano.
Não falamos sobre, não analisamos seu impacto e assumimos que ela simplesmente
esteja ali o tempo. Só notamos que ela existe quando não a temos mais. Da mesma
maneira que a eletricidade, espera-se que a internet fique tão barata que se
espalhe pelo mundo e chegue inclusive a regiões carentes.
Um
dos especialistas disse, anonimamente: "a internet e a humanidade serão
uma coisa só, pro bem ou pro mal. A internet das coisas será a inovação mais
útil, e a que mais pegará as pessoas de surpresa." Nos próximos 20 anos, a
internet será parte de praticamente todas as coisas que a gente tem e tudo vai
se integrar online - da porta da sua frente da sua casa a sua bicicleta, sua
câmera fotográfica, sua geladeira, as lâmpadas e a mesa de jantar.
Esqueça
a privacidade Se você acha que temos um problema com
privacidade, saiba que a maioria dos analistas diz que é um
caminho sem volta. E em vez de nos preocuparmos em não
sermos monitorados, vamos desistir de brigar pelo impossível e tentar diminuir
o impacto dessa nova realidade. Como? Exigindo mais transparência(assim,
tendo certeza quem está nos monitorando, quando e porquê) e negociando períodos
cegos, um espaço de tempo pra ficar livre da vigília constante.
A
tecnologia resolve problemas, mas cria outros" A
maioria dos nossos problemas hoje é tecnogênico, ou seja, foram criados pela
tecnologia", explica Kevin Kelly. E a maioria dos problemas do
futuro, ele diz, serão criados por tecnologias que estamos desenvolvendo hoje.
Isso acontece desde os primeiros avanços tecnológicos - quando, por exemplo, o
homem desenvolveu um martelo feito de pedra, ele foi usado como ferramenta, pra
produzir outras coisas, mas também foi usado para ferir pessoas de maneira mais
eficiente. E Kelly diz que usar um martelo para uma coisa ou outra é uma
questão de escolha, mas que antes de inventarmos o martelo, essa escolha nem
existia. "A tecnologia segue dando meios para que façamos o bem e o mal, e
está ampliando as duas possibilidades, mas o fato de que temos uma nova escolha
a cada vez é uma coisa boa também."
Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/noticia/2014/07/evolucao-tecnologica-como-sera-nossa-vida-daqui-20-anos.html
Atividade:Em duplas, após a leitura do texto e, a partir das
aulas anteriores, apresente argumentos defendendo se, em 15 anos, as previsões
serão próximas as descritas no texto que você acabou de ler ou estão totalmente
fora de questão.
Escreva um pequeno texto e apresente à sua professora.
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